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As emoções na era do botox

por em 29/08/2016 | Nenhum comentário

Atualmente estamos acostumados a ver na mídia os resultados de sucesso (ou não) dos procedimentos estéticos com a toxina botulínica (famoso Botox). Mas esse mercado saiu da grande mídia e está se expandindo cada vez mais (e em pessoas cada vez mais novas), sendo que na Itália foram realizados 250.000 procedimentos com a toxina em 2014. O Brasil ocupa as primeiras posições em cirurgias plásticas e outros procedimentos estéticos no mundo. Como toda nova prática em saúde ficamos pensando…quais seriam os efeitos colaterais?

 

Uma consequência imprevisível diz respeito as emoções, em particular a percepção delas através das expressões faciais. A paralisia temporária, que ameniza as rugas, também prejudica a capacidade de captar expressões faciais de outras pessoas, pontua a cientista do International School for Advanced Studies (SISSA), Jenny Baumeister, em pesquisa publicada recentemente no periódico científico Toxicon.

A pesquisadora lembra ainda que o processamento da informação emocional, como expressões faciais, em parte, envolve a reprodução das mesmas emoções (e consequentes expressões) em nossos próprios corpos. Em outras palavras, quando observamos um sorriso, o nosso rosto também tende a sorrir (muitas vezes de forma imperceptível e automático), levando a empatia. No entanto, se nossos músculos faciais ficam paralisados, este processo fica mais difícil.

steven segal

Cuidado na hora do botox! (Fonte)

Jenny Baumeister teve uma amostra de sujeitos que realizam uma série de testes diferentes que avaliam a sua compreensão das emoções, antes e duas semanas depois de terem sido submetidas ao procedimento estético à base de Botox, e comparou a medição com uma amostra semelhante de pessoas não subjetidas ao tratamento.

“O efeito negativo é muito claro quando as expressões são leves. Em vez disso, quando o sorriso é ampla e ostensivo, os sujeitos foram ainda capazes de reconhecê-lo, mesmo os que foram submetidos ao tratamento”, explica Francesco Foroni, pesquisador que coordenou o estudo. Os estímulos intensos (sorrisos amplos), mesmo com a dificuldade de execução devido a paralisia do rosto, foram facilmente identificados. Já os estímulos mais sutis foram muito prejudicados pela paralisação de alguns músculos.

Os autores sugerem que a influência negativa do Botox pode ser manifestar mais facilmente naquelas situações em que essa empatia seria mais vantajosa. Por exemplo, uma conversa normal entre dois indivíduos, onde a compreensão mútua é vital para assegurar a interação social adequada, pode ocorrer falha em perceber expressões faciais e emoções sutis, ou mudanças bruscas de humor da outra pessoa, levando a falha de comunicação.

A consciência desta consequência é útil para os profissionais de saúde que atuam na área, sendo importante para informar adequadamente as pessoas que procuram se submeter a esses tratamentos.

Fonte: Sciencedaily

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Talvez o problema não seja só o Zika vírus

por em 29/08/2016 | Nenhum comentário

De acordo com editorial da Nature, a epidemia de Zika vírus pode não ser a única responsável pelos números alarmantes de bebês com microcefalia que nasceram no Brasil nos últimos meses. Em matéria assinada por Declan Butler, o periódico relata que pesquisadores ligados ao Ministério da Saúde estão unindo esforços com Oliver Brady (epidemiologista da London School of Hygiene & Tropical Medicine) e Simon Hay (diretor de ciência geospacial do Institute for Health Metrics and Evaluation de Seattle) para tentar desvendar porque o número de bebês com microcefalia alcançou taxas tão elevadas somente na região Nordeste no Brasil, apesar do número de pessoas infectadas ser bem distribuído no país inteiro. A grande pergunta é que outros fatores ambientais, sócio-econômicos ou biológicos podem estar atuando em conjunto com o Zika vírus para desencadear a microcefalia. Sabendo-se disso, pode-se atuar de maneira mais efetiva para reduzir o sofrimento indescritível que está acometendo um grande número de famílias nos estados do nordeste brasileiro.

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