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Scicast #08: Testes com Animais Parte 2

por em qui 19America/Sao_Paulo dez 19America/Sao_Paulo 2013 em Destaque, Scicast | 9 comentários

Scicast #08: Testes com Animais Parte 2

Será a emoção mais forte do que a razão? Esta semana Silmar Geremia, Jorge Costa, Ronaldo Gogoni e Matheus Gonçalves (equipe #SciCast) unem-se aos pesquisadores Tatiana Nahas (@ciencianamidia e Ciência na Mídia) e Rafael Soares (@Rafael_RNAm e RNAm no ScienceBlogs) na luta contra a desinformação que se espalha quando o assunto são testes científicos em animais. Divirta-se com a mais louca leitura de e-mails, emocione-se com os depoimentos comentados neste episódio e, se por acaso avistar algum maluco de cueca box adentrando o seu laboratório, Fuja para as Montanhas.

Comentado neste episódio:

  • Foundation for Biomedical Research: farta documentação (em inglês) explicando os motivos de por que determinados animais serem necessários para testes específicos.
  • O Uso de Animais em Testes Científicos: artigo altamente elucidativo, escrito por nossa convidada Tatiana Nahas em seu blog Ciência na Mídia.
  • Legislação sobre Testes em Animais no Brasil:
    • Lei 11.794/2008: conhecida como Lei Arouca, regulamenta o inciso VII do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, revogando a Lei nº 6.638, de 8 de maio de 1979, e estabelece procedimentos para o uso científico de animais. A lei Arouca criou também o Conselho Nacional de Experimentação Animal (CONCEA).
    • CONCEA: é um órgão do Poder Executivo, integrante do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pela formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica, bem como estabelecer procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal, dentre outras atribuições
    • RENAMA: a Rede Nacional de Métodos Alternativos ao uso de animais, criada em 2012 pelo MCTI, tem por objetivo aplicar o princípio dos 3Rs – Redução, reflete a obtenção de nível equiparável de informação com o uso de menos animais; – Refinamento promove o alívio ou a minimização da dor, sofrimento ou estresse do animal; – Replacement ou Substituição, estabelece que um determinado objetivo seja alcançado sem o uso de animais vertebrados vivos. A ideia é propiciar uma infraestrutura laboratorial e de recursos humanos especializados capazes de implantar métodos alternativos ao uso de animais, além de desenvolver e validar novos métodos no Brasil.
  • Ativistas invadem Instituto Royal em São Roque (SP): houve depredação e o resgate de dezenas de cachorros da raça Beagle, supostamente vítimas de maus-tratos durante a execução dos testes científicos.
  • Ativistas invadem novamente o Instituto Royal: nesta segunda investida, bem mais violenta do que a primeira, foram levados os animais restantes. Dentre os espécimes retirados, a maioria eram de ratos.
  • Instituto Royal decide encerrar as atividades no laboratório de São Roque: segundo nota divulgada pelo instituto, a primeira invasão provocou “elevadas e irreparáveis perdas”. O laboratório afirmou também que temia pela segurança de seus funcionários.
  • Empresa prospera sem fazer testes com animais: o sucesso é atribuído à filosofia da empresa, que comercializa produtos quase 100% naturais e, em vez de bichos, testes feitos em voluntários, que não cobram nada e ainda fazem fila para servir de cobaias. “Usamos em nós mesmos por meses. E, depois, começa o processo formal com um painel de testes”, explica a diretora de ética, Hilary Jones.
    • Na Europa, os testes foram abolidos para o desenvolvimento de cosméticos: A União Europeia baniu testes de produtos acabados em animais e de componentes de cosméticos, mas não menciona testes por experimentação de efeitos. Além do mais, a pesquisa cosmética e científica é uma via de mão dupla, e não são raras as vez em que ambas se beneficiaram com pesquisas. Casos: Shiseido e Kanebo.
    • Na China, todos os produtos DEVEM ser testados em animais, mas há movimentações para rever essa legislação.
    • Importante notar que mesmo empresas que alegam não testar seus produtos em animais, utilizam compostos que muitas vezes podem ter sido testados em algum momento. Além disso, é questionável se produtos como cremes dentais, protetores solares (que hoje são essenciais na prevenção do melanoma) e hidratantes de pele (indispensáveis para quem sofre de dermatite atópica) deveriam ser considerados cosméticos ou medicamentos de uso tópico.
  • Depoimento de um (vários) biólogos sobre o sacrifício de suas cobaias: os comentários são excelentes e enriquecem o debate, além de existir um easter egg lá na véspera do Natal de 2009 ;)
  • Cientistas da SBPC pedem fim dos testes de comésticos em manifesto da instituição: posição oficial é de que os demais testes com animais ainda são indispensáveis.
  • Monumento a ratos de laboratório utilizados para pesquisa de DNA em Novosibirsk, Rússia.

 

Vídeos:

  • Morgatório do Pássaro: destaque para o momento do genocídio das bactérias. No começo parece bobo, mas o autor constrói um argumento tão forte baseado nele que é impressionante o limite imposto por ele ao debate.
  • Eu, Ateu (Pesquisas Com Animais – Quebrando Mitos): o Yuri Grecco é cientista e trabalha com testes em animais. Ressalva para a história pessoal dele quando não conseguiu matar um camundongo.
  • Pirulla – Ética 3: Uma discussão sobre os temas morte, dor, e quando é preciso colocar os dois na balança.

 

Literatura:

  • O último teste (Ricardo Laurino, 2013): O doutor Charles Smith está prestes a declarar uma grande descoberta na área de métodos alternativos à experimentação animal. Porém, um incêndio criminoso em seu laboratório destrói a inovadora pesquisa. O principal suspeito, Décio Sucla – renomado cientista e proprietário de um grande laboratório que usa cobaias animais – precisa provar sua inocência. Para isso, pede ajuda ao amigo de infância: o filósofo Fausto, amigo de Dr. Smith e defensor dos direitos dos animais. Fonte: A Tarde.

 

Games:

  • Whiplash (Eidos): da mesma produtora dos primeiros Tomb Raider, o objetivo deste jogo é destruir os laboratórios onde são conduzidos experimentos cruéis em macacos, hamsters e coelhos. Apesar de direcionado para crianças, foi muito criticado por sua dose excessiva(?) de violência.
  • Animal Lab: você é um cientista maluco que passa o tempo criando experimentos bizarros, a fim de inventar novas espécies de animais para enviar para Marte. Dentre as inúmeras possibilidades, o que poderia resultar do cruzamento entre uma cobra e um rato? Uma superpoderosa doninha, ou uma aberração da natureza? Apesar da sua pretensa genialidade, uma espaçonave não está nos seus planos, ainda! Para isso, tente começar pelo KSP :).
  • Cage Fight: Knock Out Animal Abuse: jogo patrocinado pela ONG People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), com um visual 2D estilo anos 80, onde você é um lutador de MMA (vegetariano!) e precisa invadir laboratórios, bases militares e institutos de pesquisa numa cruzada contra os testes em animais. Claro que a forma de convencimento será à base de muitos socos, chutes e dedadas no olho (nãooo, dedada no olho não pode :D).
  • Tests on Breasts: apenas jogue! Não recomendado para menores de 12 anos, ou chatos em geral.
  • Animal Testing Games Pack: coleção de jogos em Flash (ai ai, sempre ele) com objetivos diversos, mas sempre seguindo a temática dos Testes com Animais.
  • BÔNUS: Super-Trunfo Zatz vs Zatz (Luisa Mell x Mariana Zatz).

 

Saiba mais:

  • Caderno de ciência do Correio Braziliense (julho de 2010): MCT defende o uso de animais nas pesquisas; artigo contém infográfico sobre a atual legislação brasileira sobre os testes.
  • Relatório do FDA demonstra que 92% das drogas testadas em animais falham em humanos.
  • HM, the Man with No Memory: artigo da revista Psychology Today sobre a história do americano Henry Molaison, cuja cirurgia sofrida por ele em 1953 aos 27 anos, para reduzir o impacto das suas convulsões epilépticas, teve como curioso efeito colateral uma profunda e seletiva amnésia. Henry se voluntariou para estudos durante as décadas seguintes, na qual se descobriu que a amnésia fora causada pela retirada dos dois hipocampos do cérebro dele, cirurgia esta que nunca mais se repetiu. Veja aqui o cérebro dele fatiado para estudos no Brain Observatory.
  • OnoSendai

    Excelente episódio! A menção a Yuri Greco (o que não conseguiu sacrificar um camundongo) me lembrou do monumento a ratos de laboratório utilizados para pesquisa de DNA em Novosibirsk, Rússia.

  • João Paulo Ciacci

    Olá, parabéns pelo excelente trabalho!
    Sou ouvinte do “Nerdcast” e sempre gostei das edições que abordavam temas científicos, no entanto, ao final de cada programa ficava aquele “gostinho de quero mais”… O SciCast e as informações extras que vocês disponibilizam se tornaram esse “mais” que eu procurava.
    Achei legal o tempo do programa, principalmente ao se levar em consideração a discussão mais aprofundada (porem bastante acessível) que vocês propõe.

    • Silmar

      Obrigado pela participação João.
      O Nerdcast é um grande exemplo para nós todos aqui no #SciCast. Falo isso como fã e ouvinte. O trabalho que eles fazem lá é primoroso e eu fico sempre querendo que eles façam mais programas “sobre ciência”, mas claro que eles também tem que produzir outras coisas, então a gente juntou um bando de cientista louco e deu no que deu ;)
      Fique com a gente e apresente pros amigos, é sempre estimulante poder interagir com novos ouvintes.
      Abraço
      Silmar

  • Giovani Arieira

    Olá, pessoal!

    Excelente episódio. Como é bom ouvir opiniões sensatas e sem fanatismo (de qualquer parte) sobre um assunto tão delicado e mal abordado pela mídia em geral. Enquanto não tivermos uma discussão séria e embasada sobre o assunto não conseguiremos prosseguir de forma efetiva. O problema é que esse tipo de discussão não “dá IBOPE” e não atrai a atenção tanto quanto deveria ou, pelo menos, da forma como deveria.

    Embora eu nunca tenha trabalhado diretamente com o uso de animais em experimentação (apesar de sacrificar nematoides nos meus estudos, mas eles podem porque são vermes!), tenho bastante contato com a área de transgenia e o problema é bastante semelhante. Sempre me deparo com opiniões negativas à técnica (como se todos os transgênicos estivessem em um pacote único) sem o menor conhecimento dos processos envolvidos.

    O que acho é que o papel principal de pessoas sensatas nesta discussão (contra ou a favor) está na busca de novas alternativas, na regulamentação e na fiscalização. Se existem instituições nas quais animais têm sofrido maus tratos, o problema está nos órgãos competentes. Estes, sim, têm a função e o dever de tomar as providências cabíveis.

    Outro ponto que eu gostaria de levantar sobre os casos de “libertação” dos animais é que isso pode causar um sofrimento muito maior a estes animais. Primeiramente, após tanto tempo vivendo em um abiente controlado e asséptico, os animais terão contato com diversos microrganismos aos quais não desenvolveram resistência. Além de que, dependendo da pesquisa que era desenvolvida, os cuidados domésticos adotados não serão suficientes para garantir uma boa condição de vida para o animal. Ou seja, o ato dos ativistas pode estar justamente aumentando aquilo que julgam estar lutando contra. Isso sem entrar na discussão quanto aos impactos ambientais e ecológicos que podem ocorrer ao se libertar ratos, por exemplo.

    Para finalizar, eu tive o mesmo sentimento que a Tatiana Nahas quando me deparei com a “reportagem” nos moldes de Suuper Trunfo. Mas concordo com as opiniões de que o mais provável é que nenhuma das participantes soubessem realmente como as suas opiniões seriam expostas.

    Bem, fico por aqui. Me desculpem pelo comentário tão extenso e parabéns pelo brilhante trabalho. Já espalhei o podcast de vocês para os amigos de laboratório.

    Forte abraço!

    • Silmar

      Muito obrigado pela participação Giovani.
      Vc comentou que conhece os transgenicos. Que tal nos ajudar em um programa sobre eles? Se estiver tudo bem, mande seu email pelo formulário de contato e falamos a partir dai.

      Abraço

      Silmar

  • r0t3ch

    O governador Geraldo Alckmin ACABA DE SANCIONAR o PL 777/2013, de minha autoria, que proíbe a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos, higiene pessoal, perfumes, e seus componentes, na íntegra. http://planetasustentavel.abril.com.br/noticias/sp-pode-ser-primeiro-estado-proibir-testes-animais-763153.shtml

  • FabricioVaz

    Que a Força do Pink e do Cérebro estejam com vocês, nobres amigos.

    Continuando a #MaratonaSciCast, chego neste episódio e me surpreendo (mais uma vez) com a qualidade técnica (parabéns ao Silmar) e o alto nível do debate.

    Falando especificamente do tema (partes 1 e 2), meu posicionamento é parecido com o do Jorge: não gosto que animais sejam usados como testes, mas não há, a médio e longo prazo, nenhuma substituição tão eficaz, pois muitas situações obrigariam os pesquisadores a interromper o desenvolvimento por não ter um meio mais “próximo” da realidade para saber o comportamento de um determinado composto.

    Acho que uma solução computacional seria um bom substituto, mas realmente não sei o quão longe estamos de conseguir simular nele a complexidade de reação de um organismo vivo, quando submetido a um medicamento, comparado com a real realidade.

    Até porque, penso eu, mesmo testando em animais algo projetado para seres humanos existem reações que somente acontecerão em pessoas, não é?

    Amplexos com olhar lânguido e babão pra vocês!

  • davi koscianski vidal

    “Rato burguer” foi uma referência à Fivel?!

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