Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Grandes Mulheres da História: Não joga pedra na Hipatia!

por em 17/01/2019 em Ciência, Notícias | Nenhum comentário

Grandes Mulheres da História: Não joga pedra na Hipatia!

Ela é feita pra se estudar, ela é boa de se discutir, ela calcula melhor que qualquer um, bendita Hipatia!

Este texto é dedicado a todas as mulheres que sofreram nas mãos da ignorância e para a nossa querida Debbie Cabral (Debbie Maravilha), mulher incrível que sugeriu esta personalidade também incrível!

De tudo que é assunto louco, de matemática e de política pro povo, ela ensinou na ágora. E dá-se assim desde menina, quando teve o raro privilégio de estudar, isso porque era filha de Téon de Alexandria – um cabra famoso, um renomado filósofo, matemático, escritor, astrônomo aaand professor.  

A forte conexão com os pais e o ambiente intelectual rico fizeram com que Hipatinha – como chamam os mais íntimos – se apaixonasse pelo saber e pela busca por respostas. A menina era tão virada no jiraya que se submetia a treinamento físico pesado para seguir o ideal helênico “Mens sana in corpore sano” = Mente sã em corpo são.

 

Hipátia de Alexandria – Gravura de Elbert Hubbard, 1908

 

Aqui, vou fazer um adendo rapidinho, talquei?

Acredita-se que ela nasceu lá entre 351 e 370 d.C. É importante a gente ressaltar que Hipatinha nasceu poucos anos depois da morte do último imperador romano pagão, Juliano, ou sejE – com E mesmo porque tá tudo errado nessa parada – seu destino se desenha antes mesmo de seu nascimento. Alexandria se tornou um lugar horrível com o cerceamento da arte e do conhecimento, então pense que ser filósofo nessa época já era complicado, mas ser uma mulher filósofa era um ato de grande coragem.

Voltando a programação…

Beeem amigos, Hepatinha era tão soda com PH que nem Hermione Granger com seu vira-tempo daria conta de tudo o que ela estudou (de maneira aprofundada!) na Academia de Alexandria, olha só: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia, artes, oratória e  retórica. Se já tivesse Facebook naquela época a pobre Hipatinha não teria paciência para discutir com os atuais especialistas em tudo.

Há quem diga que nossa amiga do saber viajou para Atenas em sua adolescência para completar os estudos na Academia Neoplatônica, se destacando por unificar a matemática de Diofano com o neoplatonismo de Amónio Sacas e Plotino (se você não sabe quem esses caras são vai dar uma pesquisada, não vou falar aqui porque aqui nóis só fala das muié). Se tornou então a primeira matemática mulher da história!

Voltando para Alexandria se tornou professora, ocupando a cadeira que pertencia a Plotino e, aos 30 anos, já era diretora da bagaça toda. Ela teve vários pupilos importantes, maaaas, não vamos perder tempo falando deles, né? Eu sei que você vai devorar o conteúdo da bibliografia logo abaixo e vai ler tudo o que o Deviante já postou e gravou sobre matemática. Muito esperto você, parabéns, continue assim.

 

“Compreender as coisas que nos rodeiam é a melhor preparação para compreender o que há mais além”

 

Pois bem que essa mina maneira de Alexandria se tornou uma especialista em resolver problemas e a galera toda escrevia para ela pedindo ajuda quando se viam diante de um problema matemático daqueles de fundir a cuca. E todo natal quando a tia perguntava: e aí, e os namoradinhos? Não vai casar não? Ela dizia: sou casada com a verdade (imagine os oclinhos de tug life descendo).

Mas aí dentre todos os caras que ignoramos tem um que não podemos ignorar porque este levou nossa heroína dos números ao seu trágico fim. O nome dele é Cirilo e teria sido muito melhor se essa trama envolvesse só a paixão de um garoto em idade escolar por Maria Joaquina, a garota popular do colégio. Então senta que lá vem história porque não é fácil digerir essa bagaça.

Seguinte, lembra lá atrás quando eu disse que ela nasceu após a morte do último imperador pagão? Pois bem, por volta do ano de 380 d.C o queridão (só que não) Teodósio I institui o cristianismo como religião oficial de Roma – essa lei é conhecida como Édito de Tessalônica.

Até então, em Alexandria (Egito), os pagãos, cristãos e judeus conviviam em paz – lembrando sempre o que isso significa, né? Sempre rola umas tretinhas, mas no final tá tudo bem.

Enfim, depois dessa lei as coisas ficaram complicadas e a violência por intolerância religiosa cresceu vertiginosamente pelo império romano e a pouca autonomia que cidades como Alexandria e Atenas tinham, por serem importantes, foi para as cucuias. As lideranças cristãs começaram a ter cada vez mais poder e a população guerreava entre si, um cenário terrível.

O caldo entornou quando Orestes (que não era Quércia, mas também foi prefeito) ordenou a execução de um monge cristão chamado Amónio e fez com que Cirilo (patriarca de Alexandria) subisse nas tamancas e a situação que já não era boa ficou pior.

A relação de Hipátia, pagãzíssima, com Orestes era odiada por Cirilo, que achava um absurdo a influência de uma mulher/filósofa sobre o prefeito de Alexandria e acabou por fazer o que essa galera chata sabe fazer muito bem: meteu o louco.

Há quem diga que a ligação de Hipátia e Orestes foi vista como maligna e que os conhecimentos que tinha em astronomia agravaram o ódio por ela.

É importante a gente saber que Hipátia não deixou nada escrito, mas muito foi escrito sobre ela. Um dos vários motivos do apagamento de sua importância histórica se dá não só ao problema de sempre: mulheres sendo obliteradas dos créditos de tudo por machismo, aquela famosa fala nossa sobre o patriarcado e etc, mas também porque a biblioteca de Alexandria sofreu vários incêndios (em guerras com outra galera, em guerra civil…), sendo um deles o mais punk de todos causado pela galera cristã revoltada contra o saber.  

O que se sabe sobre o fim de Hipátia foi contado por Sócrates Escolástico que narra que um dia ela estava voltando do museu quando foi abordada por uma legião de cristãos enfurecidos e sofreu as mais terríveis atrocidades.

Hipátia, ainda viva, teve seu corpo despido, esfolado, esquartejado e nem consigo relatar o resto, falta estômago, sobram lágrimas. Hipátia foi tirada desse mundo brutalmente, a história de tantas mulheres se repetindo pelos séculos.

Matemática, pensadora, professora, filósofa e mártir, é por essas e outras que Hipatia de Alexandria é uma das Grandes Mulheres da História.

E assim começamos 2019, mas não sem antes perguntar:

Quem Matou Marielle Franco?

Já não há mais espaço para destinos cruéis como os de Hipátia e Marielle. E você me pergunta o que uma coisa tem a ver com a outra? Tem tudo a ver. Se trata de política, sociedade, disputa de poder e uma mulher forte no meio do caminho. Séculos as separam e ainda vivemos isso? Tem alguma coisa errada. (Alô meteorooo, chega mais!)

Caso você seja miçangueiro (Beijo Jujuba e Guaxa) aqui tem matérias e podcasts que já fizemos sobre matemática, então sem desculpas, já chegou a hora de você calcular quanto de dinheiro está ganhando com as coisas que a natureza dá:

http://www.deviante.com.br/tag/matematica/  

 

Bibliografia:

Wikipedia – Porque quem nunca, né? Eu sempre.

BBC Brasil 

Podcast – Fronteiras da Ciência 

Filme Alexandria (muitas imprecisões históricas, mas muito bom entender o contexto da época) 

Rainhas Trágicas

 

Livros:

Biblioteca de Alexandria. As Histórias da Maior Biblioteca da Antiguidade – Derek Adie Flower (esse aqui eu li a primeira vez tem um tempo, é bem interessante, mas focado na biblioteca, não fala quase nada de Hipatia, mas é legal entender o lugar onde ela vivia já que a Academia de Alexandria ficava dentro do prédio da biblioteca).

Hypatia of Alexandria – Maria Dzielska (esse aqui é muito booom, acho que o melhor livro sobre Hipatia, só achei ele em inglês, mas a linguagem não é difícil).

 

Modo Noturno