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Resenha — Liga da Justiça: A Big Band enfim reunida

por em 15/11/2017 em Entretenimento | Nenhum comentário

Resenha — Liga da Justiça: A Big Band enfim reunida

Enfim chegou a hora. Liga da Justiça, uma superprodução de US$ 300 milhões estreia hoje nos cinemas e finalmente reúne os pesos-pesados da DC Comics na tela grande, em uma aventura adequada para a grandiosidade dos maiores heróis de todos os tempos.

Leia e confira nossa crítica, sem spoilers.

Poderosos sozinhos, invencíveis unidos

Os eventos de Liga da Justiça ocorrem pouco tempo depois de Batman vs. Superman: A Origem da Justiça. A morte do Superman (Henry Cavill) mergulhou o mundo em uma longo período de luto e desesperança, algo que está causando efeitos desagradáveis: sem seu protetor kriptoniano a Terra é alvo de uma segunda tentativa de invasão de uma hoste de parademônios alienígenas, lideradas pelo general Steppenwolf (Ciarán Hinds, o Júlio César de Roma e o Mance Rayder de Game of Thrones) que visa aniquilar toda a vida do planeta, que ele agora julga sem defesas.

Ele só não contava com a astúcia de Bruce Wayne, o Batman (Ben Affleck), que já estava ciente da iminente invasão e buscava reunir uma equipe para defender o mundo, parte por ser o certo a fazer e parte por se considerar parcialmente responsável pela morte do Superman.

Com a ajuda de Diana Prince, a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) eles rastreiam três meta-humanos potenciais que Lex Luthor (Jesse Eisenberg) já havia investigado antes: o misterioso Arthur “Aquaman” Curry (Jason Momoa, de Game of Thrones e o remake de Conan, O Bárbaro), o jovem Barry Allen, também conhecido como Flash (Ezra Miller, de Precisamos Falar Sobre Kevin e As Vantagens de Ser Invisível) e o recluso Victor Stone (o novato Ray Fisher, que fez uma ponta em The Astronaut Wives Club), que é um ciborgue (apesar dele não usar o nome em momento algum) diretamente ligado a um item que Steppenwolf está atrás.

Batman e Mulher-Maravilha precisam manter esse time nada usual unido, superar suas diferenças e lutar lado a lado de modo a derrotar Steppenwolf e salvar a Terra, mas esta será uma tarefa nada fácil e demandará o uso de armas verdadeiramente pesadas para resolver a questão.

A Warner espera com Liga da Justiça estourar todas as marcas da categoria filme de heróis, é esperado que o budget absurdo retorne multiplicado muitas e muitas vezes: há informes de que o estúdio projetou uma bilheteria total de US$ 2 bilhões, o que é um número bastante elevado e pode até ser que não chegue a tanto (é bem provável que não) mas verdade seja dita, Liga da Justiça é divertido a beça e fará muita, muita grana.

Os acertos

Primeiro, o ritmo é acertado. Zack Snyder (e posteriormente Joss Whedon, que o finalizou quando o diretor se ausentou além de responder pelo roteiro com Chris Terrio) soube enfim controlar suas doses de “elegância e visionarismo” e evitou entregar um filme pesado, dark e sombrio como fez antes com Batman vs. Superman. Liga da Justiça não é arrastado nem cansativo, ao mesmo tempo não foi suavizado e virou uma produção da Disney como muitos temiam.

Tecnicamente o filme é excelente, sem aquele tom depressivo dos filmes anteriores e com uma fotografia que entrega aquilo que todos queriam faz tempo: cores vivas, de modo a transmitir uma sensação de esperança e não de desolação. Superman e Mulher-Maravilha não são apenas heróis, são ícones, que inspiram o melhor nas pessoas e não portadores de destruição e tristeza. E para isso funcionar a linguagem tinha também que mudar um pouco.

Há piadas aqui e ali, vindo principalmente do Aquaman e Batman trocando farpas (até a Diana aplica uma pegadinha sensacional no Arthur) ou do Flash, que é o alívio cômico da película. Aliás, Barry Allen é o responsável por quebrar o gelo sempre que as coisas estão tensas demais, e embora seja o mortal mais rápido da Terra ele se comporta como um garoto deslumbrado e comilão.

Barry ainda não é o investigador criminal visto nas HQs e na série de TV, mas eventualmente chegará lá. O único ponto negativo sobre sua personalidade é que ele chega a ser bastante ingênuo e até um tanto burro em alguns momentos, algo que o original nunca foi e é estranho alguém que quer trabalhar na área forense ser assim. Passa, mas incomoda um pouco.

Com exceção do Batman e da Mulher-Maravilha todos os membros da Liga estão em formação. Aquaman não sabe o seu lugar no mundo e Ciborgue ainda carrega um grande peso por se ver como uma aberração, mas tudo faz parte da construção dos personagens que se dará na tela eventualmente, o que vai depender do retorno deste filme para justificar as aventuras solos dos heróis.

Destes, apenas Aquaman já está pronto e estreia já em 2018, seguido por Shazam! em 2019 e Mulher-Maravilha 2 já foi aprovado, os demais (inclusive o solo do Batman) dependem do retorno financeiro de Liga da Justiça.

Neste filme o Batman ainda está de saco cheio do mundo, cansado de sutileza e continua travando sua guerra e ai de quem estiver na linha de fogo, mas desta vez ele não mais desconta sua frustração em cima de humanos, os parademônios são seus novos sacos de pancada. Sob este aspecto temos aqui um morcego mais tradicional e menos cheio de ódio como em BvS, e que é mostrado inclusive fazendo algo que não gosta: confiando em outros, trabalhando em equipe em prol de um mundo que não o vê com bons olhos, mas que ele irá proteger mesmo assim. Alfred (Jeremy Irons) ainda continua o mesmo, fazendo comentários ácidos para quem quer ouvir e não obstante adora passar o sabão no “patrão Bruce”.

Já a Mulher-Maravilha é a alma do time. É ela a líder natural em campo e fora dele, a quem puxa a corda (Laço da Verdade incluso) para motivar a todos e a primeira a apontar quando uma ideia é ruim, mesmo que isso signifique entrar em atrito com o Batman. Ela é uma guerreira nata bem menos ingênua (porém nada bobinha) do que quando a vimos em seu filme solo, mas ainda é sua empatia seu poder mais importante. Ela é uma mestra da guerra, mas também age como uma mãe severa quando preciso.

Também temos participações pontuais de Connie Nielsen novamente como a rainha Hipólita de Temiscira, J.K. Simmons (trilogia Homem-Aranha de Sam Raimi e Whiplash) como o comissário James Gordon e Amy Adams (A Chegada) novamente como Louis Lane, e pontas de Billy Crudup (Watchmen) como Henry Allen e Amber Heard (A Garota Dinamarquesa) como Mera, entre outros.

E o Superman? Bem, basta dizer que a participação do último filho de Krypton é importantíssima e não é segredo para ninguém que ele vai reviver (até porque não faria sentido algum mantê-lo morto o filme inteiro), mas como ele se encaixa é algo que é melhor você assistir e descobrir para não estragar a experiência.

O erro

O elo fraco é justamente o elemento que mais deveria causar impacto no espectador: o vilão. Steppenwolf, um dos generais mais impiedosos de Darkseid e um Novo Deus do Quarto Mundo (uma das mais fantásticas criações do “Rei” Jack Kirby) é cruel e poderoso mas não causa sensação de urgência, não intimida, nada.

Ele é um grande “meh”, ou um “meh” grande já que ele é um gigante; mesmo o excelente ator Ciarán Hinds não conseguiu dar ao antagonista um ar de superioridade sobre o grupo de heróis e passa a impressão de ser derrotável logo de cara. Sua grande cena é o confronto com as amazonas em Temiscira e só.

O filme dá a entender involuntariamente que como combatente Steppenwolf está muito aquém da Liga, embora ele saiba usar de estratégia quando necessário. No fim das contas ele é um vilão esquecível e só serviu como um aquecimento para a inevitável introdução do seu mestre, o senhor de Apokolips, em um próximo filme.

Conclusão

Zack Snyder (com uma ajudinha de Joss Whedon) enfim encontrou o ponto de equilíbrio. Liga da Justiça não é sombrio e sem esperança como Batman vs. Superman, nem uma colcha de retalhos como Esquadrão Suicida; em termos de ritmo ele se aproxima muito mais de Mulher-Maravilha, dosando momentos tensos e bem-humorados em quantidades equivalentes. O temor de que a Warner fizesse do filme uma produção Marvel-like, com piadinhas a rodo não se concretizou e o resultado é uma aventura com identidade própria.

A comparação mais próxima entre as rivais seria a seguinte: a Marvel Studios e a Disney produzem gibis mensais divertidos mas de certa forma descartáveis, já a DC e Warner entregam Graphic Novels. Mulher-Maravilha e Liga da Justiça permanecerão na memória do público por anos e serão continuamente revisitados, tal qual quando você senta no sofá para reler O Cavaleiro das Trevas pela milésima vez e nunca se cansa.

E não saia da sala do cinema até o fim: há DUAS cenas pós-créditos, uma delas sendo uma deliciosa homenagem a uma das HQs mais famosas de todos os tempos.

Cotação Deviante: cinco de cinco ingressos.

O Portal Deviante compareceu à cabine de imprensa de Liga da Justiça a convite da Warner.