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Capitão América: Guerra Civil — Análise (sem spoilers)

por em 25/04/2016 em Entretenimento | Nenhum comentário

Capitão América: Guerra Civil — Análise (sem spoilers)

Diferente da DC que preferiu se concentrar em criar um universo sério e nada divertido, onde tudo é carregado de drama e tensão, a Marvel gosta de variar. O sucesso que ela alcançou com seus filmes permitiu que os diretores brincassem com estilos, ainda que uma linha-guia seja mantida.

Homem-Formiga é quase um Onze Homens e Um SegredoGuardiões da Galáxia é um blockbuster de ponta a ponta, feito para divertir. Na TV temos Demolidor e Jessica Jones, com temáticas bem mais adultas. Os filmes do Homem de Ferro buscam um equilíbrio entre a fantasia e o real, os do Thor pendem para a mística (pero no mucho) e os dois Vingadores são pegas para capar generalizados para fechar arcos.

Mas se analisarmos friamente os filmes do Capitão América são os mais diferentes entre si. O Primeiro Vingador, dirigido por Joe Johnston (Rocketeer) era uma deliciosa matinê, um filme de aventura como os bons do Indiana Jones. Já O Soldado Invernal é um thriller de espionagem, bem ao estilo dos que Robert Redford estrelava nos anos 1970 (não é coincidência ele estar presente na película).

Culpa dos irmãos Russo, que só tinham Tudo por um Segredo como item mais expressivo do portfólio. Uma comédia com Owen Wilson? Please…

Agora chegou o terceiro filme do bandeiroso, Guerra Civil. Com ele a responsabilidade de não só dar uma chacoalhada nas interações entre os heróis como também adaptar uma das sagas mais famosas da Marvel nas HQs. Mas o filme está à altura?

Resposta curta: sim e excede as expectativas. Mas, vamos à resposta longa, sem spoilers.

O Ultimato

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Em primeiro lugar saiba separar o quadrinho do filme. Embora compartilhe o mesmo nome, um conflito daquela magnitude seria impossível de ser realizado neste momento. O filme é centrado num cisma entre os Vingadores, mas sua estrutura é similar ao que acontece na HQ: uma série de burradas dos heróis levam a uma resposta das autoridades, que cansaram dos vigilantes.

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É o secretário de Defesa dos EUA, Thaddeus “Thunderbolt” Ross (William Hurt), o velho general aposentado cujo esporte era perseguir o Hulk, o portador das más notícias. O mundo cansou dos heróis agirem como agentes independentes que não respondem a ninguém, e a crise na Sokóvia (os eventos d’Os Vingadores: A Era de Ultron), onde uma cidade foi para o saco e muita gente morreu foi a gota d’água. Essa e outra burrada no início do filme levam os governos da Terra a pressionarem os Vingadores, no momento desfalcados do Hulk, que desapareceu e do Thor, que terá sua própria carga de problemas para resolver em seu terceiro filme.

O sumiço dos dois é simples: eles são duas ogivas nucleares ambulantes e tê-los envolvidos no conflito do filme seria covardia. Tanto que nos quadrinhos eles também não participam do evento: na época Thor estava morto e o Hulk havia sido exilado em outro planeta.

A ONU apresenta um acordo: os Vingadores aceitam trabalhar para o governo como agentes sancionados, entrando em ação somente quando uma comissão julgar necessário ou se recusam e se aposentam. Como nos quadrinhos Tony Stark (Robert Downey Jr.) toma a frente e diz que todos devem apoiar a medida e serem postos em cheque, mas Steve Rogers, o Capitão América (Cris Evans) não concorda.

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Para complicar as coisas novos eventos envolvendo Bucky, o Soldado Invernal (Sebastian Stan) chamam a atenção do Capitão, que quer evitar que ele seja preso ou morto. E bem, o resto é o que se segue: linhas são traçadas e o pau come solto.

Escolha Seu Lado

A narrativa é rápida. Não há porque trabalhar todas as motivações e minúcias já que a Marvel teve oito anos para construir cada personagem, então todos já entendem o que vai acontecer. O filme brilha entretanto nas novidades e surpresas.

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A primeira é T’challa, o Pantera Negra (Chadwick Boseman). Herdeiro do trono de Wakanda (um país tão avançado que faz o resto do mundo parecer que ainda não saiu da Idade Média, graças à posse da maior jazida de vibranium do mundo), ele entra em ação por eventos decorridos no filme e sai na caçada justamente do Bucky.

Tanto quanto ver o Capitão sentando a porrada de uma forma tão natural, ver o Pantera mostrar suas habilidades é muito legal e já deixa um gostinho do que veremos em seu filme próprio.

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A seguinte é obviamente o Homem-Aranha. A Marvel fez um segredo absurdo, nenhum material de divulgação mostra o cabeça de teia com exceção do trailer. Mas ele está muito bem e é extremamente fiel ao herói que todos conhecem: um adolescente que há pouco tempo ganhou seus poderes e vem tentando fazer o bem desde então.

Há motivos para ele estar do lado de Stark, e não direi mais nada porque o legal é ver como Tom Holland está bem na tela ao traduzir como um moleque de 15 anos jogado numa guerra entre os maiores heróis da Terra estaria: deslumbrado ao extremo.

E o Aranha fala. Muito. E não para de fazer piadinhas, o que é excelente, está bem fiel nesse sentido. E nada de história de origem, nada de flashback, nada de tio Ben morrendo outra vez.

É possível no entanto espiar o primeiro uniforme, merecidamente chamado de “pijama” por Stark e com direito a óculos de mergulho. Parker gastou seus neurônios na teia, o traje era secundário.

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O único adendo que farei é: Marisa Tomei, a melhor tia May. Sem mais.

Os outros heróis estão muito bem. O Homem-Formiga (Paul Rudd) tem o seu momento (que todo mundo que lê os quadrinhos sabe do que se trata), a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) desequilibra e muito mas o Visão (Paul Bettany) é uma outra bomba ambulante, que teve de ser sabiamente neutralizado. E mais: ele está evoluindo.

E ainda temos o Falcão (Anthony Mackie), o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) saindo da aposentadoria, a Viúva Negra (Scarlett Johansson), o Máquina de Combate (Don Cheadle). Pancadaria de primeira linha.

Quanto ao personagem de Daniel Brühl… vale dizer que o envolvimento de Zemo é crucial na trama, mas esqueçam o vilão das HQs. Também temos mais Agente 13 (Emily VanCamp), que finalmente assume seu nome verdadeiro: Sharon Carter, sobrinha-neta do eterno amor do Capitão.

Mas talvez a tensão crescente na trama entre o Capitão e o Homem de Ferro seja o maior destaque. Steve quer redimir Bucky de qualquer maneira, já Stark não quer saber. E quando o conflito entre os dois explode de vez não é sem motivo, é o suficiente para ambos irem até as últimas consequências.

Conclusão

Capitão América: Guerra Civil chega a ser um Vingadores 2,5, porém com a pegada bem diferente dos dois primeiros filmes dos heróis mais poderosos da Terra. Boa parte da trama gira em torno da jornada do Capitão a fim de salvar Bucky e como todo mundo é arrastado em sua obsessão em inocentar o amigo, o que o coloca em conflito com boa parte dos seus aliados.

A ação é excelente, o drama é muito bem dosado e a diversão está garantida. Claro que há uma série de coisas escondidas para quem leu Guerra Civil, inclusive uma citação a Mark Twain que Sharon faz que no original o Capitão dizia ao Homem-Aranha em um dos tie-ins.

O filme é excelente tanto para fãs de HQs quanto para quem só assiste os filmes, todo mundo vai se divertir.

NOTA: cinco de cinco Barões Zemo brindando o filme.

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O Deviante assistiu à cabine de Capitão América: Guerra Civil a convite da Disney.

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