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Transcrição de áudio do Spin de noticias 263: Matéria escura

por em 08/10/2018 em Ciência, Spin de Notícias | Nenhum comentário

Transcrição de áudio do Spin de noticias 263: Matéria escura

Bom dia e bem vindos a mais Spin de Notícias, o seu giro diário de informações científicas em escala sub-atômica. Meu nome é Armando Fernandes e falaremos de Matéria Escura.

E no programa de hoje:

O que é matéria escura?

Por que é tão difícil detecta-la?

Como estamos procurando ela hoje em dia?

Mas antes de partirmos para a noticia, primeiro vamos tentar entender o que é matéria escura.

Você que está no ônibus agora, da uma olhada em sua volta.
Você da faxina ou que ta lavando a louça, também da uma olhada em volta.

Todos objetos que vocês podem ver, tocar, sentir são compostos por aquilo que chamamos de matéria bariônica, que é a matéria constituída de átomos.
Hoje em física, sabemos que a matéria bariônica é constituída pelas  as partículas elementares: elétrons, quarks, neutrinos, etc…

Mas será que o universo inteiro segue esse padrão?

Na verdade a matéria bariônica é uma parcela muito pequena, cerca de 5% do universo.

Vamos tirar dez segundos para pensar nisso, tudo que a gente consegue ver ou detectar não passa de uma parcela de 5% do universo conhecido!

Ah, caso eu não tenha sido claro anteriormente: tudo que podemos tocar e sentir é matéria bariônica, inclusive nós mesmos…

Sim, não somos raros no universo somente pelas questões do paradoxo de fermi de civilizações do universo, mas também pela matéria prima que somos constituídos.

O resto do universo observável é composto por de matéria escura aproximadamente 25% e energia escura aproximadamente 70%.

Vou deixar esses 70% para um próximo programa.

No final das contas, o que é matéria escura?

Vamos dar uma de Einstein, hora do experimento mental:

Você que está dirigindo, feche os olhos e imagine um elefante andando na savana.
Falar nisso, vocês sabiam que o elefante pode chegar a correr 40 km/h?
e ao pesquisar isso, descobri que o rinoceronte branco chega a 55 !
Mas voltando ao nosso experimento mental:
Como a gente espera que esse elefante se movimente?
Bem lentamente, com todo o cuidado do mundo
Agora imagina um pequeno rato na sua cozinha.
Como esse rato se movimenta?
super rápido, de um lado pro outro, uma loucura!
Imagina agora um rato se movimentando como um elefante ou o elefante se movimentando como um rato…
Super estranho, né?

É mais ou menos isso que a gente observa no movimento de galáxias, a massa observada dela não corresponde ao seu movimento, parece que ela é mais pesada do que nós podemos ver.

O rato que se movimenta como um elefante!

Então existe algo ali que deixa a galaxia mais pesada, mas nós não conseguimos detectar.

Chamamos isso de matéria escura.

Essa matéria escura interage pouquíssimo (ou nada) com a matéria bariônica, não tem carga elétrica e spin, alem disso, sua massa deve ser muito pequena, assim a unica influencia que podemos detectar é essa gravitacional do movimento das galaxias.

O que nos leva a primeira noticia:

Matéria escura indetectável em ondas gravitacionais

Esse é um trabalho que saiu em primeiro de janeiro desse ano onde Raphael Flauger e o Steven Weinberg calcularam a influencia da matéria escura na velocidade das ondas gravitacionais, pra quem não lembra, as ondas gravitacionais foram finalmente detectadas em fevereiro de 2016, bem depois de serem previstas por Einstein no começo do seculo passado.

A onda gravitacional é a propagação de uma deformação no espaço-tempo, sua presença é tão ínfima que justifica essa demora de quase cem anos para detecta-la.
Mas voltando para a noticia, no começo do ano Flauger e Weinberg mostraram que a influência da matéria escura em uma onda gravitacional é indetectável com a tecnologia que temos hoje, seria algo em torno de uma parte em 10 seguido de 45 zeros.

Agulha em um palheiro bem grande…
Notícia um pouco desanimadora, mas vamos compensar na próxima.

Estrelas primordiais podem lançar luz sobre matéria escura

Esse texto é muito mais técnico, analisa a absorção de radiação de estrelas do universo primordial, esses cientistas de Harvard observaram uma absorção maior do que a esperada.
Para tentar explicar isso, eles assumem em seu trabalho um modelo um pouco diferente, eles explicam que essa absorção  acontece devido à presença de matéria escura, mas nesse caso, a matéria escura deveria ter uma carga elétrica bem pequena.
Claro que isso ainda é muito precoce, são primeiros estudos sobre o assunto para afirmar se esse modelo é valido e confirma a detecção de matéria escura, mas ter alguns dados experimentais já é um bom começo.

PandaX: Particle and Astrophysical Xenon Experiments

A última noticia que trago na verdade é o site de um experimento chines, o panda X (nome dado por causa da região que ele se localiza ser habitado por pandas e o X vem do material que o detector é feito), esse experimento busca detectar matéria escura por um interferômetro.

O site é bem didático, com fotos e explicações de como funciona o experimento e tem ate uma sessão de oportunidades de empregos as vezes aparecem algumas vagas pra você que gostou desse spin e que sempre sonhou em aprender mandarim e abraçar um panda e pode de quebra entrar pra historia por estar no grupo que detectou matéria escura pela primeira vez!

E por hoje é só! Lembro que todos os links comentados estão no post e deixe lá também seu comentário, elogio, crítica, duvida sobre matéria escura ou crises existenciais que queira compartilhar. Lembro ainda que esse podcast só é possível acontecer por conta de seu apoio no patronato do SciCast, tanto no Patreon quanto no Padrim e agora também no Picpay. Um grande abraço