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O poder da imaginação – Entendendo a Imaginética motora

por em ter 01America/Sao_Paulo ago 01America/Sao_Paulo 2017 em Ciência | 2 comentários

O poder da imaginação – Entendendo a Imaginética motora

Nos últimos meses da graduação me encontrei em um momento um tanto quanto difícil, entre tantas coisas por fazer como estágios, monografia, séries para assistir, podcasts para ouvir, responsabilidades para com a vida,… acabava por não ter tempo para me exercitar e cuidar do meu corpo. No meio de tudo isso eu fui apresentado a uma técnica fisioterapêutica que estava começando a ser usadas pelos meus colegas na clínica, a: Imaginética Motora.

A imaginética motora tem como definição imaginar que se realiza algum movimento sem que o mesmo seja realizado. A estimulação mental citada pode ser utilizada por qualquer individuo. Tal técnica é utilizada no tratamento complementar de patologias como o AVC, no qual o indivíduo perdeu os movimentos de determinada parte do corpo, ou em até mesmo em atletas para melhorar a consciência corporal.

Na prática, a técnica funciona da seguinte forma, antes de tudo é importante que se esteja em um ambiente silencioso sem interferências externas, é necessário também que o sujeito fique totalmente concentrado na atividade: pede-se para se imaginar realizando alguma tarefa sem que a realize de fato; no exemplo de um atleta de vôlei pede-se para ele realizar um saque ou um bloquei e assim por diante; já no caso de indivíduos com alguma patologia que a impossibilitou de realizar movimentos com a mão, pede-se para imaginar que realize movimentos com o membro acometido como pentear o cabelo, segurar um copo, dentre outras atividades.  

Ainda sobre as formas de aplicação elas se dividem em duas: Imaginética motora Visual e na Cenestésica. Na primeira o sujeito se imagina observando realizar a atividade, e na segunda o indivíduo se imagina como em um jogo em primeira pessoa.

Em alguns estudos através de mapeamento cerebral mostraram que ao imaginar realizar o movimento havia a ativação de algumas áreas do cérebro, dentre elas a área motora suplementar, o cerebelo, córtex pré-motor, córtex cingulado, córtex parietal superior e inferior e o córtex motor primário e sensorial, que também estão envolvidos na imaginação.

Como resultado, em atletas houve melhora na realização do movimento, aumento da força e uma melhora da percepção corporal; já no caso de pacientes acometidos por AVE, a técnica mostra resultado como um aumento na velocidade e na amplitude de movimento, melhora da força, dentre outros resultados.

Os motivos dos resultados ainda estão sendo estudados, porém acredita-se na hipótese da neuroplasticidade (que logo logo pretendo postar um texto aqui).

Agora que chegamos aqui faremos um link lá com o primeiro paragrafo, imagine o seguinte: frente a falta de tempo de realizar alguma atividade física, enquanto faço maratona do ultima temporada do House Of Cards, me imagino na academia, correndo na esteira pelo período de… sei lá… duas horas, talvez faça algum resultado. Bem, eu já estou aplicando essa hipótese e esperando o resultado, você também pode fazer e ver no que dá.

Enfim, estou aberto a dúvidas e sugestões, segue abaixo alguma das referências utilizadas no texto.

TAVEIRA, G. S; MEIJA, D.P, Utilização da Imagética Motora no processo de reabilitação e no aperfeiçoamento do movimento – Revisão Sistemática, 2014.

BASTOS, A.F, et.al. Simulação Mental de Movimentos: Da Teoria à Aplicação na Reabilitação Motora. 2013.

 


Antonio Lucas dos Santos

Cearense orgulhoso, Fisioterapeuta, apaixonado por cinema e séries. É apenas uma poeira estelar .

 

  • Nanaka

    Muito interessante toda essa parte de plasticidade do cérebro! :)

    Mas pra ter algum efeito isso de se imaginar correndo por 2h, nao teria q se concentrar e imaginar por 2h? nao parece resolver a falta de tempo, a nao ser q seja a falta de tempo para se locomover até o local de corrida. haha

  • Talvez o mecanismo de eficácia seja mais simples do que parece. É a própria ativação das mesmas áreas implicadas no movimento de fato que faz a imaginação servir como uma espécie de treinamento também.

    Talvez isso seja eficiente em termos de treinar procedimentos ou movimentos mais finos, mas não para condicionamento físico.

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