Pages Menu
TwitterRssFacebook
Categories Menu

Games no Lab: Lifestream, Terra Viva e espadas gigantes

por em 26 26America/Sao_Paulo dezembro 26America/Sao_Paulo 2016 em Ciência, Games | 4 comentários

Games no Lab: Lifestream, Terra Viva e espadas gigantes

Final Fantasy, junto com Dragon Quest, já foram considerados os maiores representantes do RPG Oriental, tudo isso devido às inovações no gameplay e as ótimas tramas utilizadas no games. Desenvolvido pela SquareSoft, a série Final Fantasy teve como lar os consoles da Nintendo durante 6 edições, então quando todos já imaginavam o próximo título rodando no Nintendo 64, Final Fantasy VII foi anunciado para o console da Sony, o PlayStation.

A mídia de CD, na época com mais espaço para armazenamento, foi a principal razão para essa troca, já que as mudanças no novo título pediam bem mais mais espaço do que os cartuchos podiam oferecer.

Lançado em 1997, Final Fantasy VII foi um enorme sucesso tanto no Japão quanto no Ocidente, sendo responsável por chamar a atenção dos ocidentais para o gênero RPG baseado em turnos. O game deixou de lado a temática medieval e apresentou um enredo com megacorporações, intrigas políticas e até consciência ambiental, onde personagens cativantes tentam salvar o planeta de um “desastre natural”. Nesse contexto veremos que o enredo do game tem suas bases enraizadas em uma teoria cientifica apresentada em 1969. Hoje falaremos sobre Final Fantasy VII e a Teoria da Terra Viva.

O Planeta Gaia e seu Lifestream

Em Final Fantasy VII somos apresentados ao Lifestream, um fluxo espiritual que reside no amago do planeta Gaia, onde se passa a história do game. Esse fluxo controla a vida, a morte e o ciclo de renovação dos seres vivos, além disso ele guarda toda a essência das memórias e sentimentos dos que já viveram nele. Ele também age como um sistema imunológico do planeta, que em casos extremos pode se defender gerando criaturas com alto poder destrutivo, as temidas Weapons, que no game são chefes secretos com um nível absurdo de dificuldade. Se você jogou o game e enfrentou alguma Weapon, com certeza deve ter alguma história para contar sobre essa batalha.

Trazendo para nossa realidade, esse enredo tem várias semelhanças com a Teoria de Gaia ou Terra Viva. Com base nos estudos da bióloga Lynn Margulis (que formulou a teoria da endossimbiose e que eu já abordei no texto sobre Parasite Eve, clique aqui para ler o texto), e o investigador James Lovelock propuseram que o planeta Terra seria um ser vivo. Desse modo a biosfera do planeta seria capaz de gerar, manter e regular as condições do meio ambiente. Comparando a atmosfera da Terra com a de outros planetas, ele chegou à conclusão de que seria a vida da Terra que criaria as condições para sua sobrevivência.

James Lovelock que propôs a teoria

Inicialmente a teoria foi rejeitada pela comunidade cientifica, mas a partir do lançamento de satélites nos anos 70, dados foram obtidos mostrando que nosso planeta tem uma capacidade de controlar sua temperatura, atmosfera, salinidade e outras características que o mantêm em condições ideais para a existência da vida. Atualmente, com o fenômeno do aquecimento global e crise climática, a teoria vem ganhando credibilidade entre os cientistas, mas seus maiores defensores são grupos ecológicos, o que nos leva de volta ao game.

A Companhia Shinra, no game, de uma simples fabricante de armas transformou-se no maior conglomerado industrial do mundo, tudo isso porque ela desenvolveu um processo de refinamento do Lifestream, convertendo-o em energia Mako. Com essa energia, a companhia podia alimentar centros urbanos e financiar pesquisas em diversas aéreas científicas. A extração desenfreada de Lifestream foi “matando” o planeta aos poucos, porém logo surgiram grupos defensores do meio ambiente que denunciavam os abusos da companhia. Somos então apresentados ao grupo “eco-terroista” AVALANCHE, que tem como objetivo explodir os reatores de energia Mako da Shinra, de quebra também conhecemos o mercenário protagonista do game, Cloud Strife.

Cloud segurando a 2º maior espada do game

Com esse enredo, Final Fantasy VII consegue emocionar pela interação entre esse seus personagens e ainda passa uma mensagem sobre consciência ambiental. O tema planeta vivo foi abordado novamente pela franquia em Final Fantasy IX e no filme Final Fantasy: The Spirits Within (porém esse último, se você assistiu, provavelmente deve estar querendo esquecer até agora).

Para finalizarmos, quanto à teoria de Gaia, independente se um dia for provada ou não, ela nos chama a atenção para as relações existentes entre o meio ambiente e os seres vivos, focando principalmente nas relações da nossa espécie com os demais seres vivos. Que essa teoria sirva pelo menos para refletimos como os resultados de nossas atividades afetam nosso planeta.

Só uma curiosidade, como muitos devem ter percebido, tanto o nome do planeta de Final Fantasy VII, quanto o nome da teoria são uma homenagem/referência à Gaia, deusa-terra da mitologia Grega, a deusa primordial que gerou todos os deuses.

Chegamos ao fim de mais um texto, esse mês, devido às festividades, abordei um tema mais leve, sem muitas complicações, espero que tenham gostado. Deixem ai nos comentários se preferem textos mais leves assim ou com uma pegada mais “hard” mesmo. Como sempre, críticas e sugestões são bem vindas. Até o mês que vem e desejo um excelente 2017 para todos. Abraços.

Fontes: Blog Mil, Palavrando e Alquimistas.com

  • Darley Santos

    O famoso FFVII, nunca consegui me acostumar a jogar esses jogos de RPG por turno – só tenho o FFX, as duas partes. Mas como um bom jogo de RPG, um dos principais atrativos é o enredo; então já tava achando estranho algum game da franquia ainda não ter sido abordado aqui hihi. Apesar do tema mais “leve”, o texto manteve a mesmíssima qualidade, muito interessante mesmo enxergar essa teoria como pano de fundo deste jogo. Abraços!

    • Augusto

      Confesso que só realmente comecei a jogar a série a partir do XIII, mas logo voltei para jogar os outros. RPG por turno é um gênero difícil de se acostumar. Obrigado pelo comentário.

      • Darley Santos

        Verdade. Ah, a propósito, conhece a rede social gamer Alvanista? Fiz uma postagem lá divulgando seus artigos do Games-no-Lab. Segue o link: http://alvanista.com/darleysantos676/posts/3434391

        • Augusto

          Não conhecia, mas já vou me cadastrar. Obrigado pela divulgação.