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Games no Lab: Animais artificiais, o fim da humanidade e ruivas novamente

por em 08/06/2018 em Ciência, Games | Nenhum comentário

Games no Lab: Animais artificiais, o fim da humanidade e ruivas novamente

2017 foi um ano com grandes games. Entre os vários que disputaram o prêmio de melhor do ano, um chamou a atenção pela sua ótima história, gráficos incríveis, por ser uma nova IP (propriedade intelectual) e pela sua ambientação. Horizon: Zero Dawn da Guerrilla Games apresentou um mundo pós apocalítico dominado por máquinas, onde o que restou da humanidade voltou a viver de forma primitiva e tribal, tratando a tecnologia remanescente como algo proibido e profano. As máquinas agora dominantes não eram simples robôs assassinos ou coisas do tipo, elas possuíam formas e comportamentos de animais, fazendo parte do novo ecossistema daquele mundo. Mas será que estamos longe de conceber máquinas desse tipo? A resposta é não, e elas até já existem. É o que veremos nesse texto, então pegue seu arco, suas flechas de fogo e vamos caçar animais artificiais ao lado da ruiva Aloy.

Antes de tudo: Esse texto contém SPOILERS. A desenvolvedora Guerrila Games ganhou fama no mercado quando apresentou seu primeiro game exclusivo para o PS2, o FPS Killzone. Durante a campanha de marketing o game foi tratado como aquele que seria o “assassino” de Halo, franquia exclusiva da Microsoft e seu Xbox. Infelizmente quando foi lançado em 2004, o game se mostrou apenas mediano, porém a sombra do hype seguiu a desenvolvedora até a próxima geração e se agravou com o infame trailer de Killzone 2 na E3 de 2005, que depois acabou sendo revelado ser um CGi e não um gameplay.  Killzone 2 foi lançado para PS3 em 2009 e, apesar de ser um ótimo game, acabou sofrendo com o caso do trailer “falso”. Em 2011 foi lançado Killzone 3 também para PS3 e manteve a qualidade do título anterior. Mas em 2013 foi lançado como um título de lançamento do PS4, Killzone: Shadown Fall. O game se mostrou bem aquém das expectativas, principalmente por ser um shooter bem genérico. Porém na E3 de 2015 a Guerrilla Games nos apresentou Horizon: Zero Dawn, exclusivo para PS4. Saindo de sua zona de conforto, o game era um action/RPG com exploração de mundo aberto. A recepção foi a melhor possível e, quando lançado em 2017, logo foi aclamado como um dos melhores games daquele ano e um dos melhores do PS4, tudo isso pelos motivos já citados anteriormente

No game controlamos Aloy, uma jovem caçadora da tribo dos Nora. Órfã, ela foi criada por Rost, um exilado da tribo. Depois de sofrer um ataque durante o ritual de aprovação dos Nora, Aloy parte em busca de vingança e respostas. Em sua jornada ela conhece outros grupos de humanos e o segredo por trás do domínio das máquinas. Vou avisar mais uma vez: SPOILERS a frente.

Aloy, uma caçadora em busca da verdade sobre suas origens

Num futuro próximo (futuro para nós, passado para o game) a humanidade chegou a um nível tecnológico capaz de desenvolver máquinas que se auto replicassem, utilizando biomassa para isso. Depois de se descontrolarem, essas máquinas começaram um processo de aniquilação da raça humana. Como a opção de desligar essas máquinas demoraria pelo menos 500 anos, a Dra. Sobeck criou o projeto Zero Dawn. O projeto era um conjunto de IA integradas tendo Gaia como a IA superior que tinha como objetivo terraformar o que restasse depois de toda a destruição. Gaia então criou robôs para ajudar nessa terraformação, animais artificiais que iriam limpar a atmosfera, espalhar sementes e limpar a água. Inclusive muitos robôs eram semelhantes a dinossauros, uma forma de homenagear os gigantes que viveram em nosso mundo, já que Gaia aprendeu muita coisa sobre nosso planeta enquanto estava sendo desenvolvida pela Dra. Soubek.

As formas e o comportamento dessas máquinas, animais artificiais, impressionam no game. Porém isso não está muito longe da nossa realidade e uma empresa tem se destacado nesse ramo, a Boston Dynamics.

Nascida como um “braço” do MIT (Massachusetts Institute of Technology), em 2013 a empresa foi comprada pela Google e hoje desenvolve robôs para uso militar com financiamento da DARPA, agência do Departamento de Defesa dos EUA. São vários os modelos desenvolvidos pela empresa, entre eles o Spot, provavelmente o mais conhecido. Um robô quadrupede projetado para levar cargas, reconhecer terrenos e andar por locais acidentados, se move através de sistemas elétricos e hidráulicos podendo carregar cargas de até 45 kg. Todo sua estrutura é baseada no esqueleto, musculatura e “design” de quadrúpedes na natureza. Tem como fonte de energia uma bateria elétrica que lhe proporciona uma autonomia de 45 minutos, também possui uma série de sensores que o ajudam no equilíbrio e na percepção do ambiente ao seu redor. No vídeo a seguir é demonstrado como o Spot atua, assim como ele permanece equilibrado mesmo com empurrões e chutes (chutes esses que provavelmente um dia darão início a uma rebelião das máquinas):

Já o Spot Mini herda toda a mobilidade de seu irmão mais velho, com a vantagem de ser menor, mais silencioso e contar com um (perturbador) braço mecânico:

Mas nem só de quadrúpedes vive a empresa, o Rise V2 é uma espécie de “lagartixa” de seis patas capaz subir diversos tipos de superfícies na vertical:

Esses são apenas alguns dos vários modelos desenvolvidos pela Boston Dynamics e nesse ritmo não seria de se espantar se, em um futuro próximo, víssemos por aí algo como os Galopantes, Ruminantes e Rapinantes presentes em Horizon.

Partindo para outra empresa do ramo, temos a Festo, empresa multinacional alemã especializada em automação industrial que começa a dominar os ares com seus robôs voadores.  O SmartBird tem a forma de uma gaivota e pode levantar voo sozinho, sem apoio de nenhum equipamento além de suas asas totalmente inspiradas na aerodinâmica de aves reais.  Processadores junto com sensores fazem o monitoramento constante do ambiente, inclusive se adequando a mudanças no vento.

Seguindo na mesma linha temos as eMotionButterflies, borboletas robóticas que possuem o mesmo formato e tamanho dos insetos verdadeiros. Produzidas com um material leve que facilita o voo, elas podem surpreendentemente se comunicar umas com as outras voando de forma alinhada e coordenada, como as nuvens de borboletas na natureza.

Esse sistema de comunicação entre elas é uma versão melhorada do mesmo usado em outros robôs da Festo, as BionicAnts. As formigas-robôs trabalham em conjunto devido a um módulo de rádio instalado em seus “tórax” e seu controle é feito através de algoritmos especificamente criados para reproduzir o comportamento cooperativo. Câmeras nos “olhos” e sensores na cabeça ajudam na locomoção e percepção do ambiente. Elas podem trabalhar de forma independente, assim como se comunicar para resolverem problemas em grupo, como formigas reais fariam. Toda essa cooperação e comunicação representa muito bem o comportamento dos rebanhos e manadas robóticas no Horizon.

Já vimos animais artificiais na terra e no ar, agora vamos para a água. A Kongsberg Maritime vem desenvolvendo um robô em forma de serpente que será utilizado em inspeções e reparos de instalações subaquáticas. O Eelume se locomove imitando o movimento das cobras, mas também conta com propulsores que o ajudam a ganhar mais velocidade. Seu formato facilita a entrada em tubulações e locais estreitos que um robô submarino normalmente não alcançaria. Novamente sensores e câmeras são os responsáveis por sua localização e orientação no ambiente.

Ainda na água temos o Robojelly, robô água-viva que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidades do Texas, em Dallas, que em um futuro próximo poderá ser usado para vigilância e observações cientificas. Seu diferencial fica por conta de sua fonte de energia: através da luz solar o robô dá início a reações químicas entre o oxigênio e hidrogênio, gerando calor que é usado na contração de seus “músculos” construídos com nanotubos de carbono, isso faz com que o robô não seja poluente (o que é extremamente importante, já que estamos falando de poluir oceanos) e ainda tenha uma fonte de energia renovável.

Em Horizon: Zero Dawn, a IA Gaia além de criar robôs baseados em animais que existiam antes do colapso do planeta Terra, também cria robôs baseados em dinossauros, gerando inimigos como o Trovejante. Assim como Gaia, já estamos criando robôs inspirados em dinossauros. Pesquisadores do Korean Advanced Institude desenvolveram um robô baseado em um velociraptor, o Raptor é construído com lâminas de fibra de carbono que conferem resistência e leveza a ele e conta até com uma “cauda” que oferece mais estabilidade. Com isso o robô pode atingir uma velocidade 46km/h, 10 km a mais que Usain Bolt. Por enquanto ainda não existe uma aplicação prática para o projeto, mas podemos sonhar com um futuro em que dinossauros robóticos sejam um ótimo meio de transporte.

E por enquanto é só. Horizon: Zero Dawn é um game que joguei recentemente e me surpreendeu positivamente, nem tanto pela gameplay mas sim pela construção do mundo e ambientação. A Guerrilla Games fez um ótimo trabalhando se reinventando e nos presenteou com um dos melhores games do PS4, altamente recomendável para quem tem o console. Vimos também que as máquinas presentes no game, de certa forma, já aparecem no nosso mundo, o que já pode te deixar em pânico se você teme uma revolução das máquinas. Mas fique tranquilo, por enquanto tudo está sob controle, por enquanto…

Num futuro próximo

Como sempre digo, críticas e sugestões são sempre bem vindas. Se já jogou, deixe ai nos comentários como foi sua experiência com Horizon: Zero Dawn. Até a próxima.

 

Fontes: SyFyWire, Scientific Gamer, GamesRadar, Wikipédia, Época NegóciosTecMundo, VirgulaGizmodo