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Cubesat, minissatélite ao seu alcance

por em 28 28America/Sao_Paulo dezembro 28America/Sao_Paulo 2016 em Ciência, Naelton Araujo | 10 comentários

Cubesat, minissatélite ao seu alcance

Imagine você ser capaz de montar um satélite que realmente vai ao espaço e que realmente vai desempenhar uma função em órbita? Isto já é possível. O barateamento dos lançadores privados e a miniaturização dos instrumentos embarcados põem o espaço ao alcance de pessoas físicas e pequenas instituições. Com um preço equivalente ao de um automóvel novo, existe a possibilidade de montar, com relativa facilidade, minissatélites funcionais. Trata-se da filosofia cubesat.

cubesat

Unidade básica de um cubesat.

Em 1999, dois pesquisadores americanos, Jordi Puig-Suari (California Polytechnic State University) e Bob Twiggs (Stanford University) desenvolveram as especificações que se tornaram padrão para minissatélites: os Cubesats. Seriam cubos de 10 cm de aresta e aproximadamente 1 kg de peso. O objetivo inicial era disponibilizar acesso para universidades ao espaço. Nestes pequenos satélites os painéis solares e antenas vão dobrados ao redor destas unidades cúbicas.

Os primeiros cubesats foram lançados em 2003 a bordo de um antigo míssil russo adaptado para foguete lançador de satélites ao custo de US$40.000. Foram seis satélites lançados ao mesmo tempo. Em 2004, um cubesat custava algo em torno de US$65.000 (construção e lançamento). Pode parecer muito, mas saiba que parar lançar um satélite convencional não sai por menos de US$100.000.

cubesats

Tipos de Cubesat – são feitos em uma variedade de tamanhos a partir de um básico de 10 cm de lado.

Por serem leves e pequenos, os cubesats podem ser lançados como carga secundária por qualquer foguete que envie um satélite convencional ao espaço. O barateamento dos foguetes é um processo natural do desenvolvimento tecnológico. Com os primeiros testes de foguetes reutilizáveis vai ser ainda mais barato colocar satélites em órbitas. A partir do último estágio de um lançador, os cubesats são disparados por molas a partir de uma caixa denominada Poly-Picosatellite Orbital Deployer – P-POD. Os dados de telemetria são captados por antenas e receptores semelhantes aos utilizados em radioamadorismo.

A unidade padrão de cubesat é denominada 1U. Mas são possíveis combinações destes padrões como 2U, 3U e até mais. Estas combinações permitem satélites maiores com mais recursos. Existem planos de enviar cubesats à Lua e até a Marte.

Em 2014, vários cubesats foram postos a partir da ISS. Mais de duzentos destes dispositivos foram lançados desde 2003 até hoje. Os cubesats comerciais têm aumentado muitíssimo nos últimos quatro anos por vários países.

Lançador de cubesats – Usa uma mola para isso.

O primeiro cubesat brasileiro foi o NanossatC-BR1 (desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial – INPE e pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM) e foi lançado por um foguete russo Dnepr em 2014. Em janeiro de 2015, o AESP-14 (desenvolvido pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica – ITA e pelo INPE) foi em órbita a partir da ISS. Infelizmente, não conseguiu estender sua antena de comunicação.

A Universidade Federal de Santa Catarina participa do projeto Serpens, lançado com sucesso em 2015. Hoje temos alguns grupos brasileiros desenvolvendo seus cubesats. O Instituto Mauá de Tecnologia, por exemplo, é um destes grupos. O ITA desenvolveu seu cubesat denominado ITASAT, que ainda aguarda lançamento. O Brasil tem planos de enviar uma sonda à Lua usando o padrão cubesat. Trata-se do Garatéa-L desenvolvido pela USP e projetado para ser lançado por um foguete indiano, previsto para 2020.

Sonda brasileira para explorar a Lua baseada na filosofia cubesat.

Recentemente um microssatélite brasileiro foi posto em órbita.

Se você vai Campus Party Brasil (#CPBR10), em fevereiro de 2017, vote nesta conferência se quiser ouvir falar mais sobre Cubesats: CLIQUE AQUI PARA VOTAR.

  • Caiado

    Olá Naelton! Muito bacana sua matéria!
    Eu vi um vídeo recente no Youtube sobre o lançamento desses mini-satélites através de balão metateológico! Só fiquei me perguntando como ele entraria em orbita.
    Por curiosidade poderia me indicar ou escrever uma matéria sobre as rotas de satélites. Dado a quantidade, como se define sua posição sem que este colida com outro!
    Um abraçao!

  • Werther Krohling

    Lá na Campus Party vou levar meu equipamento de radioamadorismo pra fazer contatos com outros paises utilizanso CubeSat amadores

    • Naelton Araujo

      imagino que vai ser muito legal… como faz pra saber se tem cubesat passando na hora?

      • Werther Krohling

        Oi Naenton. Para o Android tem esses aqui:
        Iss detector
        Amsat droid
        SatelliteAR

        E nesse site aqui tem um monte de outros satélites amadores http://www.Arsatc.org

        • Naelton Araujo

          eu conheço estes programas… mas eles os satélites passam tão rápido… a comunicação deve ser complicada… fiquei curioso…

          • Werther Krohling

            Os satélites amadores levam de 10 a 15 minutos em cada passagem sobre nossas cabeças. Dá pra se comunicar, mas não dá pra ficar jogando conversa fora.

            E não são só cubesats, tem um monte de outros que permitem a comunicação em rádio terra-ar-terra

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