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Por que temer e por que não temer o governo Temer

por em qua 18America/Sao_Paulo maio 18America/Sao_Paulo 2016 em Comunidade, Estanislau Chapa Branca | 1 comentário

Por que temer e por que não temer o governo Temer

Vi esse fantástico título em um workshop na Casa do Saber, dia desses. Não cheguei a acompanhar o workshop em si – espero que tenha sido um sucesso -, mas além do óbvio trocadalho do carilho, ele espelha bem o espírito brasileiro neste momento. Um misto de antecipação e euforia para uns, terror e perseguição para outros, mas um quase unânime e gigante interrogação com o que nos espera ali à frente.

Desde quinta-feira da semana passada estamos em um governo interino, algo que nenhum entusiasta da democracia de fato deseja. Por vezes, claro, é um mal necessário (e aqui me esquivo completamente deste debate em nossa situação atual – oras, não posso negar minhas raízes), mas ainda assim aquele bom sentimento de entrega de faixas de um presidente democraticamente eleito ao outro, de ver a instituição máxima do executivo federal funcionando em sua mais completa normalidade é algo que pode não vir a acontecer em 2018.

Mas o fato é que, interinamente, Michel Temer assumiu a presidência, dando lugar à agora presidente afastada Dilma Rousseff. Esta, por sua vez, não deixou o cargo sem acusar “os conspiradores”, “aqueles que perderam nas urnas”, “a elite” e todos as outras definições já há muito repetidas tanto pela presidente, quanto por seu partido e aliados. Poucas horas depois, Temer iniciava seu mandato (ainda) provisório, empossando um novo (e reduzido) gabinete ministerial.

E que gabinete, amigos!

E que gabinete, amigos!

De partida, é impossível não mencionar a falta de representatividade. É claro que isso, como jocosamente foi colocado, é uma formação de ministério, e não um programa infantil ou um time dos Power Rangers. Mas a questão não é essa. Estamos falando de 23 ministros sem nenhuma mulher, negro ou outra “minoria”. Isso sem contar os investigados e citados na Lava-Jato. Não que a equipe de ministros de Dilma fosse superior, mas cabe aqui a ironia maior de o presidente que assume após diversas manifestações contra a corrupção (inclusive, contra a indicação de Lula à Casa Civil, vista como manobra para “salvá-lo” de um julgamento em primeira instância) ir para exatamente o mesmo caminho.

Não fosse a mera escalação do ministério, em menos de uma semana o mesmo já conseguiu, sucessivamente, meter os pés pelas mãos. E o pior! Com assuntos, muitas vezes, absolutamente irrelevantes ou sem prioridade na agenda nacional. Já tivemos:

Não quero aqui fazer um julgamento de valor de todos os pontos acima. Há alguns debates sérios que de fato precisam ser colocados para a sociedade. Contudo, há duas questões principais que não podemos esquecer:

  • Este continua sendo, por ora, um governo provisório, interino. Ainda que politicamente improvável, não é possível afirmar que se manterá para além dos 180 dias que limitam o afastamento de Dilma
  • Paradoxalmente, ainda que se mantenha, é um governo que têm a metade do tempo de um mandato normal.

Por que enfatizo os dois pontos? Para reforçar a necessidade do foco maior, o causador estrutural da saída momentânea de Dilma, o que assombra a grande maioria dos brasileiros neste momento, deixando-nos na angústia já mencionada:

É a economia, estúpido!

É a economia, estúpido!

No final do dia, antes de tudo, acima de tudo, é a economia. E, nesta área, as escolhas de Temer parecem ter agradado bastante o mercado e tranquilizado investidores. Meirelles para a Fazenda, Goldgajn para o Banco Central, Maria Silva Marques para o BNDES – nomes fortes, de prestígio e que colocam bem claramente, logo de saída, a situação complexa que estão as contas brasileiras. Estamos em um buraco. Possivelmente mais fundo do que de fato chegou a ser publicizado. Já se fala de reforma da previdência em 30 dias (!), aumento de impostos (chama o pato!) e outras medidas de aumento de arrecadação e diminuição de despesas. Debates extremamente complexos, importantes e de grande repercussão e profundidade nacional.

São tempos incertos, esses que estão à frente. Sinceramente não sei o quanto temos que temer ou não temer o Temer.

Mas, a angústia permanece.

  • Darklinker

    Todo mundo sabe que os cortes ministeriais não trará economia aos cofres, é para O Pato ver somente. Reforma na previdência, estabelecendo idade mínima fixa para aposentadoria, só vai afetar o trabalhador MESMO, os políticos continuarão a se aposentar depois de um mandato (deveria mudar pros defensores verem, mas isso não será feito).
    O governo anterior ficou marcado como um dos piores, talvez porque muitas das reformas e medidas propostas foram barradas pela oposição, inclusive a própria CPMF. Temer irá na contradição, a CPMF é inevitável, porque os gastos públicos não serão diminuídos, e a arrecadação não aumentará por mágica. Mudança na tabela do IR não irá acontecer porque afetaria os poucos muito ricos e a poderosa organização Globo. Então, a CPMF voltará, com outro nome e outra roupagem (imagino que pode ser em % maior do que estava sendo especulado pela equipe Dilma). A contradição continua, se no governo anterior os ministérios eram inchados e cheios de investigados, Temer não fez questão de deixar os investigados de fora, alegando tecnicidade para as indicações. Além de ‘convocar’ sua esposa, formada em direito não licenciada pela OAB, sem experiencia, que nunca precisou trabalhar, DO LAR, para um cargo do Social(lite), nepotismo escancarado!!!
    Ministro da saúde, Barros, teve como principal doador de campanha uma operadora de Plano, e já pede diminuição do SUS, porque será? Ministro da educação dando aval para mensalidade em instituição pública. Latifundiário para o meio ambiente.
    Está sendo um festival de contradições!!!
    Diminuir a máquina pública diminuindo o número de deputados e senadores, nada. Diminuição dos beneficios parlamentares, como auxilio moradia, gravata, combustivel, nada. Diminuir as verbas de gabinete, nada. Diminuir gastos com propaganda, nada.
    Privatizar serviços é ok, e já começou a campanha Globo de privatização, aliás, essa é uma medida que não trará beneficio algum para os usuários dos serviços que ficará a mercê da entidade incorpórea que é O Mercado. Terceirizar serviços também será uma medida, o que não garante diminuição de custos.
    E por fim, a desculpa de que ”o buraco foi deixado pelo governo anterior”, nunca foi tão usada. E portando, a frase do atual presidente de que: não é hora de falar em crise, trabalhe!, não é aplicado aos seus próprios parlamentares! Só vale para o proletariado.

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