E bloqueando o caminho entre a mediocridade e o sucesso, existe apenas eu.
Eu, com meus defeitos e minha covardia. Eu. Dizendo que o caminho é realmente difícil e tortuoso. Eu, com minha fraqueza de espírito, segurando um espelho que mostra o reflexo da potencialidade do sucesso, reconhecido claramente quando visto de longe, mas turvo e anuviado quando vislumbrado de perto com uma mínima parcela de coragem. A imagem de concretização se desfaz quando observada de perto. E em seu lugar resta apenas a covardia. Um vulto do que eu poderia ter sido. Do que poderia ter alcançado. Uma imagem envelhecida, como uma foto antiga e desbotada.
Bloqueando o caminho entre tudo o que posso ser e a imensidão de possibilidades que pode se abrir, existe apenas eu.
Eu, com minha visão limitada e meu medo da crítica. Eu, irredutível no meu castelo de falsa perfeição. Eu, cercado por um exército de soldados malditos e armados com lanças envenenadas de motivos e razões. Eu, afundado até o pescoço num pântano movediço de traumas de infância. Eu, escondido atrás de uma cortina de vergonha e receio, observando a uma distância segura o que poderia ser minha vida se eu simplesmente me dedicasse mais. Eu, vagando alienado no espaço, deixando a vida passar diante dos meus olhos enquanto acredito que há tempo para tudo, enquanto os minutos escorrem descontrolados pelos meus dedos flácidos.
No entanto, existe outro eu, no final do caminho, acenando tranqüilamente, com um sorriso fácil estampado no rosto.
Eu, confiante, sóbrio e em paz comigo mesmo.
/ dia 28.9.04 /
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